domingo, 14 de fevereiro de 2010

Relacionamentos



Difícil falar de sentimentos, de envolvimento, carinho, casamento. A sociedade exige e impõe fundamentalmente a duas pessoas que tem um relacionamento desse tipo a condição da fidelidade. A fidelidade segundo a Wikipédia é o atributo ou a qualidade de quem ou do que é fiel (do latim fidelis), para significar quem ou o que conserva, mantém ou preserva suas características originais, ou quem ou o que mantém-se fiel à referência. Fidelidade implica confiança e vice-versa, e essa relação de implicação mútua aplica-se quer entre dois indivíduos, quer entre determinado sujeito e o objeto sob sua consideração, que, a seu turno, também pode ser abstrato ou concreto.
Em virtude disso, se faz necessário outro questionamento, essa fidelidade existe em relação aos seus princípios ou em relação aos princípios do outro? Não estou aqui pra defender a traição ou mesmo questionar o casamento, mas a realidade precisa ser vista sem panos quentes, um casamento dentro dessa realidade, sinceramente não existe. Ainda pode ter aqueles que por falta de coragem simplesmente não fizeram o que tiveram vontade, mas quiseram, desejaram e mesmo que por um breve momento pensaram: se eu não fosse casado, seria diferente, como tem aqueles que agem sem um pingo de dor na consciência, convictos de que é uma realidade que se faz necessária.
E o amor? Ele não é o princípio de tudo? Amar significa ser fiel? Poderíamos reduzir o amor a prioritariamente isso? Não acredito, porque amar é algo tão sublime, que as vezes foge ao nosso próprio entendimento..e o amor é único em qualquer uma das suas vertentes, seja ele dedicado ao seus pais, aos seus amigos ,aos seus irmãos ou a pessoa com a qual você decidiu se relacionar de uma maneira mais íntima onde aí passa a existir outra questão que difere o amor de um casal para os outros tipos de amor: o sexo!
O sexo complica tudo realmente, é aí que entra a fidelidade, o ciúme, a necessidade de exclusividade, mas ele é somente uma parte de um todo bem mais amplo, mas que tem uma importância muito grande no contexto. Amar é só sexo? Claro que não..mas não existe esse tipo de amor sem o sexo, e o sexo é nada mais que manifestação do desejo, da vontade de estar junto, de sentir prazer juntos. Existe o sexo sem amor? Com certeza! Mas ele não existe sem envolvimento e sem troca.
“Eu gosto da minha mulher, mas o sexo com fulana é tão bom!”- os relacionamentos extraconjugais que perduram não são mais só sexo, é amor. As esposas traídas defendem o seu lado. “Ele esteve com ela, mas ama a mim, a nossa família! Permanece comigo, é na minha cama que ele dorme.” Com certeza ele ama, mas também pode existir outra cama e outra realidade que faz com a pessoa simplesmente seja feliz, com o único compromisso de se doar e receber carinho, sem cobranças, sem receio. Seria esse o verdadeiro amor? Aquele que só quer ver o outro feliz e bem? Deveria ser, mas não se aplica. Impossível imaginar o objeto de desejo, nos braços de outro, na boca de outro, tão unido a outro, na busca pelo prazer com outro, sentindo prazer com outro, estando unido num momento único, numa troca única é somente ali exclusiva, a outra pessoa. Único momento em que a física erra, e dois corpos ocupam o mesmo espaço, no momento da pose e da entrega...interessa nessa hora quem deu ou quem recebeu? Ela é bilateral, é completa. Amar gente não pode ser exclusivo, amar não obedece a regras impostas pela sociedade, amar vai além de explicações, amar envolve sentimento. Quer ser feliz? Viva o seu momento, comprometido ou não, vivendo um casamento ao não..simplesmente ame, toda forma de amor vale a pena e toda entrega é única.
Patrícia Bastos em 13/02/2010

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